Primeiro,
Passo a água pelo corpo,
Que a frescura queima a dor.
Queima a dor,
Mas só um pouco,
Que a dor controla o corpo
E a água só o ardor.
Depois,
Troco a água pelo vinho
O rancor pela amargura,
Que a dor embriagada em vinho
Floresce no seu fermento,
E só por um momento,
Alegrasse, vive e dura.
De manha,
Acordo mergulhado em Lucidez
E da dor nasce o remorso.
Na boca, talvez um pouco de acidez
No corpo, talvez um pouco de destroço
Reclama então a senhora vontade
Por um pouco de dor, de raiva, de sujidade.
Finalmente,
Banho-me em sangue quente
Para o calor acordar a alma,
Que a alma permanece calma,
E a calma atormenta a mente.
O Corpo?
Esse ficou dormente.
Um patamar transparente.
A dor?
É agora inexistente.
Aprisionada num pensamento consciente.
Francisco Noras
1/04/2008
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