quinta-feira, 10 de abril de 2008

Passo-a-Passo

Primeiro,

Passo a água pelo corpo,

Que a frescura queima a dor.

Queima a dor,

Mas só um pouco,

Que a dor controla o corpo

E a água só o ardor.


Depois,

Troco a água pelo vinho

O rancor pela amargura,

Que a dor embriagada em vinho

Floresce no seu fermento,

E só por um momento,

Alegrasse, vive e dura.


De manha,

Acordo mergulhado em Lucidez

E da dor nasce o remorso.

Na boca, talvez um pouco de acidez

No corpo, talvez um pouco de destroço

Reclama então a senhora vontade

Por um pouco de dor, de raiva, de sujidade.


Finalmente,

Banho-me em sangue quente

Para o calor acordar a alma,

Que a alma permanece calma,

E a calma atormenta a mente.


O Corpo?

Esse ficou dormente.

Um patamar transparente.


A dor?

É agora inexistente.

Aprisionada num pensamento consciente.

Francisco Noras

1/04/2008

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