quarta-feira, 16 de abril de 2008

Grito

Grito, grito, porque grito?

Quero explodir, quero expandir, quero ser tudo

Grito porque não o sou,

Sou cego, sou mudo


Grito, grito, porque grito?

Quero ser átomo, mas nem sou pó

Nem poeira, nem areia

Nem pedaço de algo,

Apenas triste, desumano, só


Grito, grito, porque grito?

Grito por ser a podridão de mim próprio

Nem estrutura sou! apenas lodo imundo

Sou barco inundando, sem remos

Sem origem, sem fim


Grito, grito, porque grito?

Grito porque sou nada, porque sou tudo

Grito porque a vida enche os meus pulmões,

Porque o corpo rebenta a cada instante

Grito por que sou um vácuo constante


E enquanto a minha existência durar,

Nunca hei de parar de Gritar!

Francisco Noras

Março/2008

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