sábado, 26 de abril de 2008

Intemporalidade

Este texto foi escrito com o objectivo de criar uma espécie de ‘resposta’ ao escrito de Diogo Pereira, intitulado “Imaginário em Movimento”. ( http://pensarnorte.blogspot.com/ )


Antes de avançar no desenho deste meu pensamento, quero clarificar a minha principal posição em relação a este tema: O Tempo é algo Intemporal. Pondo de parte a contradição que aqui apresentei, devemos reparar que é o único adjectivo que consigo caracterizar, com certeza, este fenómeno que intitulo como Tempo.

Em concordância com alguns pensamentos prévios, posso afirmar que o tempo não se materializa de uma forma concisa e exacta, como nós (Comunidade) tentamos tão arduamente parecer. Todos os segundos, todos os minutos, os dias, os meses, os anos, as décadas, todos esses períodos temporais são meras conjecturaras de exactidão, que se criaram para o Homem não se perder no “Tempo” (é de notar que uso aspas, pois a própria terminologia “tempo” implica um período, um prazo, uma ocasião própria[*]).

O “tempo”, ou seja, aquilo que se move na penumbra das nossas vidas, não tem forma nem tamanho. Não é gigante, nem pequeno. Não é rápido, nem lento. Não tem cheiro, nem imagem. Nem um próprio período temporal. Está por todo o lado, escondido com a sua não dimensão, num perpétuo movimento. É gigante e longo, quase gélido e inamovível, quando o Homem recorda. É seco, rápido e insignificante, quando o Homem esquece. E quando paramos o corpo e só ligamos o pensamento, o tempo é intemporal e deixa de ter sentido. O antes, o agora e o depois, fundem-se num só, porque este movimento não é linear, como muitos pensam ser. Este movimento é curvilíneo e recto num só momento. Uma trajectória não concebível, apenas relativa. E é nessa ferida que quero tocar: Na Relatividade do tempo, que leva à sua própria intemporalidade.

O tempo deriva consoante o conjunto existencial que consideramos. Falo, também, do tão conhecido tempo pessoal. Os minutos que parecem anos. Os anos que parecem minutos. Mas a realidade vai para além do “parecer”. A é realidade é simples: O tempo é maleável. E o próprio ser deixa-se moldar por ele. Com isto posso afirmar, com a certeza que apontaram o dedo à minha loucura, que podemos viver momentos infinitos, podemos viver vidas imortais, podemos perder-nos num simples pensamento e parar o movimento.

Einstein disse um dia que se alcançássemos uma velocidade igual ou superior a 3x108 metros por segundo, o nosso corpo e mente iriam ignorar, por completo, o efeito do tempo e iríamos entrar num estado de intemporalidade. Eu acredito que esse estado de intemporalidade existe constantemente, sendo o domínio do tempo de menos infinito a mais infinito. Na memória o tempo é intemporal, o que se aplica também à nossa vida, se recordarmos o famoso provérbio “Recordar é viver”.

Para finalizar, e em tom de resposta à pergunta de Diogo Pereira,

“O tempo não existiu, não foi, não nasceu. O tempo é, sempre esteve lá. Límpido, invisível, sem forma, a sorrir para nós”.

Francisco Noras

26/04/08



[*] Definição retirada de “ Dicionário da Língua Portuguesa”, da Editora “ Porto Editora”

Sem comentários: