Procuro esquecendo
O que encontro lembrando,
Um leve pensamento
De um momento brando
Perco na memória
O cliché da palavra,
O certo é sabido,
Mas em mim já não se trava
Já não me recordo de nada!
Já não há desejo,
Nem fogo posto,
Nem água de uma vontade atada.
Melancolia, porquê?
Se já não há passado.
É alfabeto sem ABC,
É sofrer sem ter amado.
E cada nova
No meu sentido,
Refresca-me o conto
Do que não tenho sido.
E se não tenho sido o que fui,
Serei agora o que sou?
Mais do que uma memória,
Uma ideia que voou?
Todo o Santo dia,
O Sol nasce em contratempo,
Brilha como se sorrisse
Como se tivesse sentimento.
Eu nasci ontem,
E sou mais velho que o tempo.
Procuro o que já sei,
Mas o que eu sei, já eu perdi
O meu futuro é o passado,
Pois o presente, eu não venci.
Desencontrei-me com o Diabo.
E Deus? Eu nunca vi.
Bem? Mal? Talvez tenha sonhado.
Mas disso, já me esqueci.
Não me aflijo nesta peripécia,
O que perdi, eu nunca tive.
É um sujo de milho verde
É um verde nada que retive.
É uma porta sem passagem
Um segmento que não tem recta,
Um deserto numa miragem,
Um princípio que não tem meta.
É Como Leite escuro que ferve,
Uma Chama encarnada que gela,
É Orvalho sem gota,
É Quadro sem tela
É Língua que não fala,
Mente que não vê!
Corpo que não deseja,
Razão sem o porquê.
É Galego conformado
Pacifista Radical
Pinha sem Pinheiro
Aeroporto sem Terminal.
É derivada de constate
Raiz Quadrada de – Infinito.
Serenidade inquietante
É o Silêncio num Grito!
É viver de uma memória morta,
Nascer das cinzas do atrasado.
Escrever numa linha torta
Ler a vida no passado.
Francisco Noras
22/05/08
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