quinta-feira, 29 de maio de 2008

alguma ansiedade

Realidade absurda em que vivo. Tudo à volta parece ser o que não é. Salto como se estivesse parado. Fixo-me num movimento inquietante. Não sei se chova ou se ilumine. E por mais que tente diferenciar cada palavra, cada agir, tudo parece ser uma enorme lixeira. Cada suavidade que sai da minha acção é, no mundo de fora, um pedaço de lixo podre, seco, que peca por conteúdo. Gostava de criar mais simplicidade pura. Talvez seja preciso ser um pouco mais genuíno, um pouco mais apaixonado. Esforço-me por ser eu próprio, contudo esse esforço poderá não ser natural. Vivo nesta incógnita. Quero saber quem sou realmente. Quero saber se sou quem penso que sou, ou se o que penso que sou é apenas uma imagem elitista, idealista e de um enorme teor racional de uma ideologia fugaz que tenho pelo mundo. Quero saber se sou verdadeiro! Quero saber se o que sinto é genuíno! Se odeio por ódio, se amo por amor. Quero me Conhecer!

Francisco Noras

29/05/08

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Perdi a Memória

Procuro esquecendo

O que encontro lembrando,

Um leve pensamento

De um momento brando


Perco na memória

O cliché da palavra,

O certo é sabido,

Mas em mim já não se trava


Já não me recordo de nada!

Já não há desejo,

Nem fogo posto,

Nem água de uma vontade atada.


Melancolia, porquê?

Se já não há passado.

É alfabeto sem ABC,

É sofrer sem ter amado.


E cada nova

No meu sentido,

Refresca-me o conto

Do que não tenho sido.


E se não tenho sido o que fui,

Serei agora o que sou?

Mais do que uma memória,

Uma ideia que voou?


Todo o Santo dia,

O Sol nasce em contratempo,

Brilha como se sorrisse

Como se tivesse sentimento.

Eu nasci ontem,

E sou mais velho que o tempo.


Procuro o que já sei,

Mas o que eu sei, já eu perdi

O meu futuro é o passado,

Pois o presente, eu não venci.


Desencontrei-me com o Diabo.

E Deus? Eu nunca vi.

Bem? Mal? Talvez tenha sonhado.

Mas disso, já me esqueci.


Não me aflijo nesta peripécia,

O que perdi, eu nunca tive.

É um sujo de milho verde

É um verde nada que retive.


É uma porta sem passagem

Um segmento que não tem recta,

Um deserto numa miragem,

Um princípio que não tem meta.


É Como Leite escuro que ferve,

Uma Chama encarnada que gela,

É Orvalho sem gota,

É Quadro sem tela


É Língua que não fala,

Mente que não vê!

Corpo que não deseja,

Razão sem o porquê.


É Galego conformado

Pacifista Radical

Pinha sem Pinheiro

Aeroporto sem Terminal.


É derivada de constate

Raiz Quadrada de – Infinito.

Serenidade inquietante

É o Silêncio num Grito!


É viver de uma memória morta,

Nascer das cinzas do atrasado.

Escrever numa linha torta

Ler a vida no passado.

Francisco Noras

22/05/08

terça-feira, 20 de maio de 2008

algo

Apesar da sua transparência e singeleza, a água que bate na pedra, consume a vida como um sonho. A rocha que bate na água, deixa-se levar pela ignorância. A sua densidade é feita apenas de um sentido animal, e de uma escuridão total.

É preciso sentir. É preciso abrir os braços para o sentimento. É o caminho para o sonho. Contudo, não me posso deixar cair na armadilha do selvagem que há em mim. Um sentimento puro, que não é controlado, só me transforma num ser primário.

Conjunção é que se precisa. Pensar, Sentir. Já! Sem actividades extremistas. Pensar para sentir. Sentir Para Pensar.